- Trim... Trim... Trim... Trim...
- Alô. Isso é hora de ligar, ainda é cedo...
-Alô, Lais é você?
-É. Quem fala?
- Sou eu, Janaina.
- O que você tem, que está tão afobada?
- Você não imagina... Hoje eu acordei com um barulho... Então abri os olhos e fui consultar as horas... Quatro e quinze...
- Sim e aí?
-Aí, que o barulho foi alto e eu acordei... Levantei, fui ao banheiro porque eu estava apertada... e ainda estava tentando adivinhar o que tinha sido aquele barulho...
- Tá, mas o que era o tal barulho então?
- Eu ainda não sabia... mas como tudo parecia calmo... eu ainda tive tempo de escovar os dentes...
- Ai ai ai ai ai... e você me liga pra contar isso... Vá dormir... ainda é cedo!
- Não... do pior você não sabe!
- Sei... pra você tudo vira tempestade mesmo!
- Não, não... dessa vez é diferente!
- Então tá. Fala logo.
- Então, quando eu estava lavando o rosto... em questão de segundos, a campanhia tocou, acredita?
- E quem era, a essa hora?
- Isso é que eu não sei...
- Como não sabe?
- É que não tive coragem de ir atender a porta...
- Ué, então, volta pra cama e dorme...
- Não, você não está entendendo...
- O que é que eu não estou entendendo, Janaina?
- Eu acho que aconteceu alguma coisa...
- Então, vá lá ver!
- Mas eu estou com medo... Você fica comigo na linha?
- Ai, ai, ai... Fico...
- Espera ai que eu vou enxugar meu rosto.
- Ai, como você é lerda... Vai logo!
- Tá bem... Estou saindo do banheiro agora...
- Janaina, você vai ver que não é nada... para de ser boba, vai!
- Ai, e agora?
- Agora o quê?
- Agora, que eu cheguei na porta e estou com medo de abrir...
- Abre logo, que coisa!
- Qualquer coisa, me prometa que vem me salvar?
- Aaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiii! Estou perdendo a paciência e o sono que ainda restava...
- Estou com medo!
- Janaina, se não for nada... você me paga... eu demorei tanto para dormir essa noite...
- Vou abrir...
- Então abre...
- Abri. Ai meu Deus!!!!!!!!! Ai meu Deus!!!!!!!!!!!!
- O que que foi?
- Tem um homem caído aqui!
- Um homem?
- É. Um homem! Está caído aqui na soleira...
- E aí, perto de você? Tem mais alguém???
- Não, está tudo quieto... Não tem ninguém no corredor...
- E o homem está morto ou só está desmaiado?
- Não sei... como vou saber????
- Cutuca ele...
- Tá, Vou abaixar... Ai, mas estou com medo...
- Medo de quê?
- De ele me pegar...
- Anda! Para de enrolar... Abaixa logo!
- Está bem! Aiiiiiii.
- Ai o quê?
- Está gelado! Acho que está morto...
- Por que você acha que ele está morto?
- Porque ele está muito frio e duro...
- Nossa! Não estou acreditando...
- O que é que eu faço agora?
- Chama a polícia, é óbvio!
- Mas como é que eu vou explicar que tem um cadáver na porta da minha casa?
- Explicando, ué!
Laís Vieira Viajante
Um dia tumultuado
"Hoje um dia como qualquer outro acordei mais cedo com o telefone tocando. Fui até lá e: - Alô! Do outro lado da linha, meu amigo José parecia muito assustado: - Bom dia Carlos, tudo Bom? Você na sabe o que aconteceu agora... Tentei recuperar a tranquilidade e respondi: - Bom dia José, o que aconteceu? Por que você está tão afobado? Ele, ainda muito nervoso, - Levantei hoje de manhã e, como de costume, fui ao banheiro e tive que sair de lá rapidamente pois a campainha estava tocando... E, assim que abri a porta vi um homem caído na soleira... E só estava ele ali, na minha porta... Não tinha mais ninguém no corredor. Então fique preocupado: - Mas quem era? Alguém conhecido? O que você fez? E José respondeu: - Bem, como ele estava de costas, eu abaixei-me e, quando o toquei senti que seu corpo estava frio e rígido... Imediatamente percebi que era um cadáver... Fiquei atônito e a única coisa que consegui fazer foi correr para o telefone e ligar para a polícia. Agora estou aqui, esperando a polícia, com um cadáver, que eu nem sei de onde veio, na porta da minha casa. Diante da situação respondi: - Fique tranqüilo. Aguarde a polícia que eu também estou a caminho para ajudar no que for necessário. Um abraço e até já. E agora vou para a casa do meu amigo ver em que posso ajudá-lo, pois nesses momentos temos que dar uma força não é mesmo? O dia começou tumultuado mas espero que termine bem."
Selma Feba Tesini
"- Alô !
- Você não vai acreditar no que aconteceu ! ! , falando quase aos gritos.
- O que foi ? disse ao telefone preocupado com a forma com que o meu amigo estava falando ao telefone.
- Acordei esta manhã e encontrei uma pessoa morta. , disse o meu amigo.
- Onde ? Onde você encontrou uma pessoa morta ? , perguntei.
- Eu estava no banheiro quando a campainha tocou, e então fui atender a porta. Quando abri a porta, encontrei uma pessoa caída na soleira da porta.
- Chamei a polícia pelo meu telefone. Eles pergutaram se eu conhecia a pessoa morta. Mas eu não conheço.
- Mas a pessoa morreu do que ? Qual foi a causa ? , perguntei.
- Eu não sei, não tinha sangue no chão, e não vi sangue no corpo. A polícia perguntou se eu escutei barulho de madrugada ou de manhã, mas eu não escutei nada. E aí, eles foram perguntar para os vizinhos se eles escutaram, viram ou se conheciam a pessoa morta. Já chamei o meu advogado para me acompanhar até a delegacia de polícia. Tenho que registrar o ocorrido ... mas eu não tenho nada a haver com isto.
- Colocaram um morto na minha porta ! Querem me incriminar ! , falando quase aos gritos.
- Calma, se você não conhece a pessoa, não tem como alguém incriminar você. Fique calmo para poder conversar com o delegado de polícia. Em qual delegacia você vai ?
- Ainda não sei, estou esperando o advogado chegar. Os policiais disseram que posso esperar a chegada dele para ir até lá.
- Eu preciso desligar. Telefona para dizer o que está acontecendo, se precisa de algo.
- Tudo bem. Tchau !
- Tchau !"
Ségio Akio Ara Bueno
"UM CORPO NA MINHA PORTA
-Alo!
-Alo! Cidinha é você amiga? estou precisando muito da sua ajuda!
- O que foi que aconteceu?
-Hoje não comecei bem o meu dia!
-O que foi, você esta me deixando assustada.
- Tá bom vou te contar:
- Acordei, abri os olhos, olhei para o relógio de cabeceira eram 6 horas e trinta minutos. Levantei, fui ao banheiro, escovei os dentes, lavei o rosto.Ai ouvi a campainha tocar. Enxuguei o rosto correndo.Sai do banheiro e fui até a porta, destranquei a fechadura e abri a porta.
- E dai fala logo o que aconteceu!!!?
- Tem um corpo caído na soleira!
- O quê?
- È isso mesmo, olhei em volta não tinha ninguem no corredor, mas alguem deixou um corpo aqui na minha porta.
- Tá bom fica calma, volta lá e verifique se ele esta morto.
- Como!!!?
- Toca nele vê se ele esta frio...
-Tá bom espera ai.... Já toquei e ele esta gelado morto, morto de verdade!!!
- Então presta atenção liga para a central da polícia, que eu já estou a caminho, tá bom amiga?
- Tá bom, mas vem logo!!! eu estou com muito medo....
- Fique tranquila estou chegando, até já."
Maria do Amparo Correa
Nossa, quanto defunto aparecendo na porta das pessoas !
ResponderExcluirDa leitura do livro: PINHEIRO, P.S.; ALMEIDA, G.A. de Violência Urbana São Paulo: PubliFolha, 2003. Folha Explica. www. publiFolha. com. br
ResponderExcluirEu peguei/retirei alguns trechos para citar.
"Faz tempo que a idéia de integrar um comunidade e sentir-se confiante e seguro por ser parte de um coletivo deixou de ser um sentimento comum aos habitantes das grandes cidades brasileiras."
"De lugares de encontro, troca, comunidade, participação coletiva, as moradias e os espaços públicos transformam-se em palco do horror, do pânico e do medo."
"Qual tarefa impõe-se aos cidadãos, na democracia e no Estado de Direito ?"
"... questão imprescindível à sobrevivência da cidadania e ao fortalecimento de uma vida pacífica em sociedade."
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirnão foi informado qual a tipologia e gênero do texto !!!
ResponderExcluir